Cafezinho

Luciano Pires & Café Brasil Editorial Ltda

Uma pausa para o café com média de 2 minutos e meio de Iscas Intelectuais sobre comportamento, sociedade, política, economia, educação… tudo aquilo que envolve a complexidade de ser humano.

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Cafezinho 574 - Vai dar merda
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Cafezinho 574 - Vai dar merda
Notou que todo dia você está sobressaltado com as notícias? Com a sensação de que vai dar merda? Temos um viés negativo, que faz a gente dar mais peso às experiências e notícias ruins do que às boas. E além do viés negativo, temos um viés de atenção. Damos mais atenção às coisas negativas do que às positivas. Se você passou por uma avaliação de performance, por exemplo, e teve 95% de feedbacks positivos, perderá o sono por causa dos 5% negativos. Damos mais peso e mais atenção às coisas negativas. É por isso que para todo lado está cheio de gente negativa, de notícias horrorosas. É por isso que seus posts positivos têm infinitamente menos interações que os negativos. É por isso que a mídia enche você de horrores… é por isso que você adora uma treta. A mídia sabe disso e por isso ela atrai a sua atenção. Sem contar o viés político, não é? Algumas pesquisas já apontaram que introduzir boas notícias no mesmo momento em que as más, pode ajudar a neutralizar o prejuízo da negatividade. É por isso que eu penso se não deveríamos, como nação, fazer um pacto. – Disseminar boas notícias e boas ações. – Olhar o lado cheio do copo. – Eliminar das nossas redes os negativistas de plantão. - Baixar o acesso a redes como o Twitter, por exemplo, que se transformou numa sucursal do inferno. – Parar de começar o dia ouvindo noticiários de rádio, TV e internet. - Parar de dar atenção e a andar com gente negativa. Não é para virar uma Poliana, adotando uma atitude otimista excessiva e irrealista em relação à vida e às circunstâncias. Não. Isso é ser bobo. Estou falando de cuidar da sua armadura emocional, de não alimentar o lagarto que mora em sua mente com o “vai dar merda” constante. Estou falando de procurar encher sua vida de pequenos atos positivos. Cinco positivos para cada negativo. Talvez não resolva os problemas reais, mas diminuirá os imaginários, reforçando a sua autoestima e equilibrando as coisas. E, acredite, deixando a vida muito mais leve. Esta reflexão continua no vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=o4Kx2zRiBho Gostou? De onde veio este, tem muito mais. No Café Brasil Premium você se desenvolve como líder nutritivo, que não apenas lidera, mas atrai, inspira, educa e serve como modelo. São textos, livros, palestras, cursos, podcasts, jornadas de aprendizado exclusivas e uma comunidade de líderes e empreendedores nutritivos, criando o lugar ideal para sair da normose. Acesse https://canalcafebrasil.com.br/ e faça parte de uma  comunidade que defende a liberdade!
Cafezinho 573 - Celebração à resistência
May 26 2023
Cafezinho 573 - Celebração à resistência
Cafezinho 573 – Celebração à resistência Acabo de lançar meu décimo livro. É o quinto como autor independente, sem contar mais três lançados por editoras, mas cujo controle eu assumi.  Ser um autor independente é emocionante, mas também é cheio de desafios. O primeiro desafio é a autopromoção. Não se tem uma grande editora para divulgar o livro. É preciso divulgar o trabalho por conta própria. Não é fácil. O independente é invisível para as grandes mídias. Ou, no máximo, é uma curiosidade. Tem os recursos financeiros. Os independentes têm que arcar com todos os custos de publicação. Buscar parcerias ou utilizar plataformas de publicação digital, é essencial. A visibilidade é um desafio. Em 2019 foram lançados 59 mil títulos inéditos no Brasil. Isso dá 1.130 títulos por semana! Não cabe nas livrarias. É necessário encontrar maneiras criativas de chamar a atenção dos leitores, como resenhas, parcerias com blogueiros e eventos literários. A credibilidade também é um desafio, pois ainda há um estigma em relação à qualidade da produção dos autores independentes. Por isso é importante investir na produção de um trabalho de qualidade. E tem a falta de suporte e orientação. Aprender sobre processos como direitos autorais, formatos de arquivo e contratos, buscar apoio em comunidades de escritores e contratar serviços de consultoria pode ajudar. E, por fim, controlar as expectativas. Acordar toda manhã e ver aquela pilha de livros fantásticos que você lançou, encalhados na sua sala por falta de distribuição, é um ataque diário à autoestima de qualquer autor. Mas é o que mais acontece.   Mas com todos esses percalços, a liberdade de produzir o que, como, quanto e quando você quer, não tem preço. Pegar este bichinho nas mãos e poder dizer “fui eu que fiz”, dá uma satisfação inigualável, que só quem já experimentou sabe o que é. Bem, eu convidei o Mauricio Nunes, do A Toca do Lobo, que lançou como independente este livro maravilhoso, A Árvore dos Sonhos, para, junto comigo, trocar algumas ideias a respeito da produção como independente. Vamos falar de quem não está disposto a jogar pelas regras do mainstream. E aproveitar para uma noite de autógrafos em nossos dois lançamentos. Será dia 30, terça próxima, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi em São Paulo. A partir das 19 horas. Um evento independente, para falar de quem ainda tem o espírito de RESISTÊNCIA. Apareça lá! Terça feira, 30 de maio de 2023, a partir das 19 horas na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo.     Gostou? De onde veio este, tem muito mais. No Café Brasil Premium você se desenvolve como líder nutritivo, que não apenas lidera, mas atrai, inspira, educa e serve como modelo. São textos, livros, palestras, cursos, podcasts, jornadas de aprendizado exclusivas e uma comunidade de líderes e empreendedores nutritivos, criando o lugar ideal para sair da normose. Acesse https://canalcafebrasil.com.br/ e faça parte de uma  comunidade que defende a liberdade!
Cafezinho 571 – Ovelha Negra
May 12 2023
Cafezinho 571 – Ovelha Negra
Eu canso de conhecer gente em cargos de poder nas organizações, que administra seus negócios e suas equipes, baseada em meias verdades. Ou meias mentiras. Gente que, para quem não a conhece, parece ser profundamente conhecedora de verdades absolutas, firme e confiável. Tem sido triste ver equipes lideradas por esses aloprados corporativos, incapazes de fazer julgamentos baseados em fatos, em evidências. Essas pessoas normalmente superestimam o poder, não aprendem com as falhas, não conseguem realizar as ações necessárias, relevam as dificuldades… Trabalham baseadas em suas percepções da realidade. E normalmente limitam-se a repetir as soluções que funcionaram no passado. Daí a sensação cada vez mais presente de que estamos experimentando uma invasão de gente que está nivelando por baixo as organizações. Implementando a covardia. Deixando de lado a nobre atividade do pensar, em troca da adoção das fórmulas prontas e acabadas. Dos modismos corporativos. Essa gente é um problema. Agarra-se às meias verdades, sem perceber que está agarrando também meias mentiras. Pior. Sem perceber a diferença entre uma e outra… Num dos episódios do podcast Café Brasil eu falei das leis, perfeitas no papel e imperfeitas na aplicação, tarefa conduzida pelos homens. E citei Albert Einstein, que afirmou que eram três as forças que movimentavam a humanidade: o medo, a estupidez e a ignorância. E eu acredito piamente nele. Krishna, um mensageiro de Deus que viveu na índia há 5 mil anos declarou que a luxúria, a raiva e a ganância são os três portões para o inferno… E não tem jeito: onde existir um ser humano existirá essa coleção de valores negativos que fazem parte de nosso ser. É no exercício do medo, da estupidez, da ignorância, da luxúria, da raiva, da ganância, da arrogância, da ilusão e da cobiça que se encontra a raiz da intolerância, da incapacidade de conviver com os que pensam diferente da gente. Medo, estupidez, ignorância, luxúria, raiva, ganância, arrogância, ilusão e cobiça. Você tem visto muito disso por aí? Esta reflexão continua no vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=sddoNLSbuBc   Gostou? De onde veio este, tem muito mais. No Café Brasil Premium você se desenvolve como líder nutritivo, que não apenas lidera, mas atrai, inspira, educa e serve como modelo. São textos, livros, palestras, cursos, podcasts, jornadas de aprendizado exclusivas e uma comunidade de líderes e empreendedores nutritivos, criando o lugar ideal para sair da normose.
Cafezinho 570 – A nota é DÓ!
May 5 2023
Cafezinho 570 – A nota é DÓ!
- Semana passada meu contador me ligou para dizer que não conseguia completar minha declaração do IR por conta da impossibilidade de emissão do extrato de pagamentos da aposentadoria no INSS. Algum erro no sistema. - Entrei no app para ver o que era, me pediram para atualizar dados do IR. "Você não precisa ir ao INSS" está lá escrito. Não vai, o app ficou indefinidamente girando numa página e a coisa não andou. Tentei pelo site, veio o aviso: "O senhor vai ter de ir à agência do INSS." Tenho de agendar o atendimento. - Atendimento agendado, para hoje pela manhã, lá vou eu para a agência. Até que a fila foi rápida. Aí me atende uma menina, com seus 20 anos, falado baixo, atrás de um vidro e de máscara. Dá uma olhada nos meus dados e balbucia: "O senhor vai ter de agendar para atualizar os dados do imposto..." Ela me diz que eu tenho de fazer aquilo que eu acabei de fazer. Eu estava na agência, na data agendada, para conseguir o meu extrato do IR. E ela diz que eu tinha de agendar de novo. E só tem data dia 18. Peço para chamar alguém que possa ajudar. Vem um garoto com seus 20 anos, pega meu RG e vai lá para dentro. Alguns minutos depois volta com dois papéis impressos, dizendo que eu tenho de agendar para retornar à agência para acertar os dados do IR. Eu argumento que era exatamente isso que eu estava fazendo ali, mas falo com uma porta. Alternativa: dar um murro no balcão, começar a gritar e fazer com que o segurança venha me acalmar. Ou me algemar. Ou entrar numa fila enorme para falar com o caixa, que tem seus 50 anos de idade e talvez possa ajudar. Talvez, sem qualquer segurança. Sistema que não funciona, funcionários desqualificados, NENHUM interesse em resolver o problema... e na fila um monte de velhinhos e velhinhas com suas bengalas e dificuldades de locomoção. Que talvez ouçam um "volte outro dia".  Voltei para casa, sem meu extrato, com a certeza de que não existe a menor possibilidade do Brasil dar certo. Que dó do Brasil.     Esta reflexão continua no vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=saCPbjZqFvo Gostou? De onde veio este, tem muito mais. No Café Brasil Premium você se desenvolve como líder nutritivo, que não apenas lidera, mas atrai, inspira, educa e serve como modelo. São textos, livros, palestras, cursos, podcasts, jornadas de aprendizado exclusivas e uma comunidade de líderes e empreendedores nutritivos, criando o lugar ideal para sair da normose. Acesse https://canalcafebrasil.com.br/ e faça parte de uma  comunidade que defende a liberdade!
Cafezinho 567 – O caso Escola Base
Apr 13 2023
Cafezinho 567 – O caso Escola Base
Saiba sobre o curso em https://bit.ly/acima-midia-curso O caso Escola Base, ocorrido em 1994, é um marco da irresponsabilidade da imprensa na divulgação do que hoje é chamado de “fake news”. O Brasil foi tomado durante semanas por uma sucessão de notícias que apontavam abusos de crianças em idade pré-escolar, numa pequena escola de São Paulo. O caso virou escândalo nacional e com o tempo, provou-se que os denunciados eram inocentes. Mas o estrago estava feito. Foi uma combinação de notícias desencontradas, interesses difusos, irresponsabilidade e busca por audiência que terminou na destruição de famílias e num caso que até hoje é estudado nas escolas de jornalismo. Mas não ficou só nisso. Valmir Salaro, então trabalhando na Rede Globo, foi o primeiro repórter a divulgar as notícias em rede nacional, transformando-se num dos personagens de um pesadelo do qual ele mesmo não escapou. Assombrado por anos pela consciência do mal que ajudou a praticar, Valmir decidiu exorcizar seus demônios num documentário chamado Escola Base – Um repórter enfrenta o passado. O documentário está na Globoplay. Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=AdLjLd5fOUw Comecei a assistir ao documentário com toda a indisposição contra Valmir Salaro. E terminei com os olhos cheios d´água e com uma profunda admiração por sua coragem, assim como total empatia por sua dor. O desfile de depoimentos enriquece uma história inacreditável, que hoje só merece um “como foi possível”? A Isca de hoje é uma recomendação: assista ao documentário. Vale cada segundo. E depois faça uma reflexão sobre o papel de cada um de nós nesta sociedade da informação. O impacto em mim foi tão grande que contribuiu para a publicação de meu livro Merdades e Ventiras e a produção do curso Inteligência Acima da Mídia. Precisamos nos blindar, para que nunca mais aconteça um caso Escola Base no Brasil.   Esta reflexão continua em https://www.youtube.com/watch?v=iJn0pH1S4_o   Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 566 – A minoria tóxica
Apr 7 2023
Cafezinho 566 – A minoria tóxica
Estudo do Serasa: https://docs.google.com/viewerng/viewer?url=https%3A%2F%2Fcdn.noticiasagricolas.com.br%2Fdbarquivos%2Fserasa-experian-afyH.pdf A Serasa Experian Agro desenvolveu um estudo inovador para avaliar as práticas ESG (Environmental, Social and Governance) dos produtores rurais brasileiros. Com informações de mais de 160 mil produtores, a empresa criou uma avaliação do comportamento desses produtores em relação às questões ambientais, sociais e de governança. A amostra significativa foi selecionada a partir de dados de 1 milhão e 600 mil produtores que solicitaram crédito nos últimos três anos. Para construir o score, a Serasa Experian utilizou dados de análises ambientais, como a presença de áreas indígenas, quilombolas e unidades de conservação nas terras dos produtores, além de questões trabalhistas e jurídicas. Produtores que apresentaram problemas em relação a esses fatores foram penalizados em sua avaliação, enquanto aqueles que não apresentaram problemas ou que solucionaram eventuais irregularidades obtiveram notas altas. A pesquisa revelou um dado interessante: 99% dos produtores que tentaram acessar crédito nos últimos anos apresentaram excelente avaliação do ESG, ou seja, estão em conformidade com as práticas ambientais adequadas às legislações vigentes. A pesquisa teve uma amostra significativa e percorreu todos os segmentos de produtores rurais, sendo capaz de dar números concretos a uma percepção que antes ficava apenas no campo qualitativo e ainda não possuía essa análise quantitativa. Você entendeu? 99% dos produtores cumprem a legislação. 1%, infelizmente, são os responsáveis pela maior parte dos problemas. Isso mostra que a percepção geral de que o setor agropecuário tem um grande problema no cumprimento das legislações ambientais é men-tira. Continuo esta reflexão no vídeo. Esta reflexão continua em https://www.youtube.com/watch?v=UavRkFwQsMQ   Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 564 - Terceirização responsável
Mar 24 2023
Cafezinho 564 - Terceirização responsável
Se você não vive em Nárnia, sabe do que aconteceu com algumas vinícolas de Bento Gonçalves, acusadas de prática de trabalho análogo à escravidão, por conta de trabalhadores terceirizados. Os ingênuos e ignorantes compraram essa pauta, demonizando as empresas e a terceirização. Tudo indica que as motivações foram políticas. Olha, ao longo dos anos 1990 e começo dos 2000 eu era Diretor de Marketing de uma grande empresa e terceirizei diversas atividades. Por exemplo, com alguns funcionários da área de promoção de vendas, que foram demitidos por mim para montar suas empresas, que contratei em seguida para executarem o mesmo trabalho que faziam quando empregados. Eles aceitaram o risco e foram em frente. Hoje, duas décadas depois, atendem a diversos clientes, têm dezenas de funcionários e nem pensam em voltar a ser CLT. Ah, Luciano, você está contando o caso de quem deu certo. E quem não deu?  Bem, na minha experiência, todos que se organizaram deram certo, porque havia um mandamento rígido: jamais terceirizar algo para alguém pior que nós. Só haveria sentido na terceirização se ela representasse, sem aumento substancial de custos, melhoria nos serviços. Transformei diversos funcionários em empreendedores, a partir do estímulo da terceirização, que é uma excelente saída, de eficiência comprovada por mim, pessoalmente, em inúmeras ocasiões. A terceirização responsável abre oportunidades para que coisas aconteçam; dá chance às pessoas de obter trabalhos aos quais não teriam acesso; ajuda a melhorar a qualidade de processos; dissemina melhores práticas pelo mercado e espalha o vírus do empreendedorismo pela sociedade. A terceirização irresponsável dá no que aconteceu com as vinícolas: no meio do monte de virtudes da terceirização sempre tem um filho da puta que vai explorar outras pessoas, jogar sujo, não pagar direitos, como existe em qualquer lugar, inclusive naqueles onde a CLT prevalece. É preciso evoluir nas questões trabalhistas e a terceirização é um caminho antigo, já experimentado e de eficiência comprovada, mas que muitos brontossauros, lentos, pesados e espaçosos, teimam em contestar, alegando precarização do trabalho e, como sempre, legislando pela exceção e exigindo um Estado equivalente ao Indominus Rex. E assim continuamos empurrando o problema. Até o dia que o asteróide chegar. Esta reflexão continua em https://youtu.be/k4zzJIuwQQo   Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 563 – O ovo ou a galinha?
Mar 17 2023
Cafezinho 563 – O ovo ou a galinha?
Em 2018 fui convidado para palestrar numa reunião mensal de resultados de uma empresa da nova economia. Uma dessas que são “hype”, vivem aparecendo na imprensa, cheia de ideias malucas, dirigida por um visionário aloprado e que teima em se mostrar quebrando regras de negócios. E só fala em milhões, embora todo mundo fique desconfiado de sua capacidade de um dia apresentar resultados. Cheguei para a palestra uma hora mais cedo, como sempre faço, exatamente quando começariam as apresentações dos diversos grupos de funcionários que durante as horas anteriores haviam se debruçado sobre dois ou três problemas fundamentais da empresa. Agora era hora dos grupos apresentarem seus diagnósticos e recomendações. Fiquei curioso para assistir, e minha curiosidade aumentou conforme cada grupo subia no palco para se apresentar. A primeira questão era estética. Eu, que venho do mundo corporativo, acostumado a uma certa estética e ritos das apresentações do mundo dos negócios, me sentia deslocado ali, com a roupa, os cabelos, as tatuagens daquele pessoal. Era evidentemente um outro mundo, muito diferente daquele no qual fui treinado. Mas o que me incomodava mesmo era atitude daqueles grupos. As apresentações não tinham qualquer sinal de respeito ao negócio. Eram sucessões de pregações lacradoras, “temos que isso”, “temos que aquilo”, num idioma parecido com o português, com “tá ligado” e coisas parecidas no final. E em minha mente ficava uma questão: tá certo, mas cadê o compromisso com o resultado da empresa? Com o que chamávamos de botton line? Nada. A lacração era sensacional, mas sobre resultados, nada. E aquilo me acendeu um aviso. Será que era um padrão dessas empresas cheias de frescuras, mas com resultados no mínimo duvidosos? Se era, viriam quebradeiras homéricas pela frente, quando o mercado e os acionistas se cansassem da conversa mole e exigissem resultados. Bem, aquela empresa quase quebrou, quando o mercado percebeu que não entregariam o prometido. Sumiu dos holofotes, trocaram o CEO e foi um pequeno escândalo. Agora quebra o Silicon Valley Bank, que apresenta todas as características que vi naquela reunião: muita festa e resultados questionáveis. Cara, eu devo estar muito velho, viu? Não consigo me desvencilhar de um pensamento retrógrado que diz: primeiro o lucro. Todo o resto é consequência. Mas a turma teima em “primeiro as consequências e depois, se der, o lucro.” Isso não vai dar certo. Continuo a reflexão neste vídeo.     https://www.youtube.com/watch?v=T_oHqsruL9E Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 562 - Uma questão de assédio
Mar 10 2023
Cafezinho 562 - Uma questão de assédio
Link para a palestra e o texto Cagonautas: https://lucianopires.com.br/palestras/assedio-moral-no-trabalho/?category=valores-e-atitudes Em 2005 escrevi um texto chamado “Os Cagonautas”, que tratava do assédio moral no trabalho, que viralizou e causou grande impacto. De lá para cá, aproveitei meus mais de 26 anos de experiência na liderança de equipes em ambientes corporativos e 15 anos como empreendedor, para me transformar num especialista em questões da liderança e vida em sociedade e nas dinâmicas de interação entre os seres humanos. Até livro eu lancei, o “Diário de Um Líder”. E isso me ajudou a montar minha nova palestra "Assédio no trabalho: eu disse NÃO!", que começa com uma definição clara de assédio e suas várias formas, incluindo assédio sexual, moral, psicológico e discriminação, para em seguida discutir as consequências graves do assédio para a vítima, incluindo impactos negativos em sua saúde mental e física. Além disso, na palestra abordo a importância de identificar comportamentos de assédio e tomar medidas para proteger a si mesmo ou a outras pessoas. Também discuto as políticas e medidas contra o assédio, incluindo como denunciar assédio no ambiente de trabalho ou escolar. A intenção é abordar um assunto importante de forma objetiva, auxiliando na construção de uma cultura de respeito e igualdade no ambiente de trabalho, incluindo a importância de se envolver na prevenção do assédio. A palestra também aborda como lidar com o medo associado ao assédio. "Assédio no trabalho: eu disse NÃO!", é essencial para qualquer empresa que deseja garantir que seus funcionários trabalhem em um ambiente seguro e saudável, livre de assédio e outras formas de abuso. A palestra é interativa e bem-humorada, oferecendo uma abordagem holística e envolvente para o tema, permitindo que os participantes se envolvam com o assunto e possam aplicar as lições aprendidas em suas próprias vidas e na empresa. O link para o texto “Cagonautas” está na descrição deste vídeo. Esta reflexão continua em https://www.youtube.com/watch?v=b-9DH_00NF4 Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 561 - Elon Musk, o generoso
Mar 3 2023
Cafezinho 561 - Elon Musk, o generoso
Quando jovem em São Paulo, me envolvi em projetos para fabricação de maquetes, um trabalho minucioso e curioso. E uma das partes mais fascinantes era o desenvolvimento de materiais para a fabricação das miniaturas. Na rua Major Sertório existia uma loja de hobbies que vendia trens elétricos, materiais para aeromodelismo e uma infinidade de produtos. O dono já era um senhor de idade e sempre o consultávamos sobre os materiais. Um dia, estávamos conversando com ele sobre uma cola que ainda era novidade, chamada SuperBonder, que era uma coisa. Toda hora um de nós estava com os dedos colados, era um desespero. O dono da loja disse: “Eu sei como limpar a cola dos dedos… Mas não conto de jeito nenhum”. E não contou! Insistimos, mas ele não contou. Eu não me conformei, e 40 anos depois estou aqui contando a história daquele sujeito que não compartilhava conhecimento, provavelmente por achar que se muita gente soubesse ele teria concorrentes… Algum tempo atrás, Elon Musk, o criador da Tesla, que está empenhado em lançar o carro elétrico definitivo, começou a implodir um dos monstros sagrados da indústria automotiva mundial: as patentes. A Tesla começou a partilhar gratuitamente diversas patentes de seus carros elétricos. Elon Musk diz: “Se preparamos o caminho para a criação de veículos elétricos convincentes, mas em seguida lançamos minas terrestres sob a forma de propriedade intelectual atrás de nós para inibir outros, agimos de um modo contrário a esse objetivo.” E ele fez o mesmo com programas de inteligência artificial. Puxa! Elon Musk é bonzinho? Não… ele é esperto. Quanto mais gente souber de suas descobertas, quanto mais gente tiver acesso às ideias, quanto mais gente puder trabalhar a partir de um problema já resolvido, mais rápido surgirão soluções geniais. E ele ainda evita de ter que brigar para proteger suas patentes. Mas no fundo no fundo, acho que a resposta que Elon Musk dará à pergunta “E os concorrentes?”, será bem simples. Ele dirá: “Deixa que venham. Sou mais eu”. Como é mesmo? Na economia do compartilhamento, não vence quem tem a ideia, mas quem faz acontecer. Continuo a reflexão neste vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=VyZPoawmWHY Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 560 - Seja indie
Feb 24 2023
Cafezinho 560 - Seja indie
Cafezinho 560 – Seja indie. Com a chegada da tecnologia as redes sociais se tornaram um fenômeno em quase todas as áreas de negócios, comunicação e marketing. E isso não é diferente na indústria da mídia, onde as redes sociais se tornaram uma parte integral, seja para entregar notícias, fazer marketing ou publicidade. A revolução das redes sociais tem mudado e continuará mudando o jornalismo e as organizações de notícias. As estratégias de negócios foram ampliadas e reformuladas, e as redes sociais têm sido efetivamente usadas para expandir as redes de negócios, e a produção independente de conteúdo se transformou numa das principais formas de democratizar o acesso à informação e ampliar a diversidade de perspectivas. Por quê? Porque permite que pessoas comuns se tornem influenciadoras, sem precisar de grandes investimentos em infraestrutura ou recursos financeiros. Porque através da criação de conteúdos relevantes e de qualidade, é possível construir uma audiência fiel e engajada, que pode ser transformada em uma rede de apoio para projetos futuros. Porque por meio da monetização de conteúdos, como publicidade, parcerias e venda de produtos, é possível transformar a produção independente de conteúdo em uma fonte de renda. Porque por meio de canais independentes, é possível ter acesso a informações diversas e complementares, que não são cobertas pelos grandes veículos de mídia. Porque através da criação de conteúdos engajados e conscientes, é possível mobilizar pessoas e ampliar o alcance de pautas importantes para a sociedade. Resumindo, a produção independente de conteúdo é uma ferramenta poderosa para ampliar a diversidade de perspectivas, democratizar a informação, gerar engajamento e criar novas oportunidades de negócios. Por isso é que é tão importante apoiar e incentivar a produção independente de conteúdo, garantindo que todas as vozes possam ser ouvidas e representadas. Continuo a reflexão neste vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=e-JLFoN2lNg Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 559 – Em qual realidade você vive?
Feb 17 2023
Cafezinho 559 – Em qual realidade você vive?
Publiquei no Café Brasil Premium o PodSumário do livro Como Aquilo Aconteceu? – Mantendo Pessoas Acontabilizáveis Para Resultados. No livro os autores falam de três tipos de realidade. Existe a Realidade Fantasma, que é uma descrição imprecisa de como as coisas são. Ela pode ser criada por você, por ignorância de fatos e detalhes, ou pode ser construída por alguém que seleciona os fatos e os encadeia de modo a fazer com que você ache que aquela realidade fantasma é a realidade real. Exemplo? O trabalho de convencimento da opinião pública de que deveríamos promover a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. Intenções políticas e criminosas torceram os números dos investimentos, inventaram que não haveria dinheiro público metido no negócio, criaram benefícios que jamais aconteceriam e… conseguiram trazer os dois eventos para o Brasil. Mesmo com uma minoria gritando #naovaitercopa. Terminadas a Copa e a Olimpíada fomos apresentados para a realidade real: obras superfaturadas, estádios abandonados, obras não terminadas, corrupção nível hard… Olha! Mas se a gente sabia que isso aconteceria como é que deixamos? Simples. Vivendo uma realidade fantasma, baseada na descrição imprecisa de como as coisas são. Existe também a Realidade Desejada, que é aquilo que você quer tanto, mas tanto, que imagina que está ou vai acontecer.  E toma decisões sobre essa esperança de que as coisas acontecerão só porque você quer. Exemplo? Bem, tem 900 pessoas que, por conta de uma realidade desejada, ainda estão presas em Brasília, numa das situações mais indignas e absurdas que já vi. A Realidade Desejada é aquela que você cria em sua cabeça baseada na esperança de que aquilo que você quer que aconteça, realmente aconteça. E existe, por fim, a Realidade em si, que é a descrição precisa de como as coisas são. Realidade Fantasma, baseada numa descrição imprecisa, Realidade Desejada, baseada num desejo muito forte e Realidade Real. Para sair da realidade fantasma ou desejada para a realidade real, é preciso ter as informações corretas e confiáveis. E é aí que o bicho pega. Continuo a reflexão neste vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=E7N2IUYsRG8 Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 558 - Quem é seu dono
Feb 10 2023
Cafezinho 558 - Quem é seu dono
Quando eu era jovem, muito jovem, por volta de 16 anos, tive a primeira parte de uma visão que me influenciou pelo resto da vida. Eu era um cartunista iniciante e um dia, desenhando junto com outro garoto que havia recém-chegado de um estágio nos estúdio do Mauricio de Souza, percebi que todos os personagens que ele criava eram iguais ao Cebolinha, a Mônica e o Cascão. Ele havia perdido a personalidade de seu traço. Fiquei horrorizado e decidi que jamais faria o mesmo. Eu queria o meu traço, a minha personalidade. Anos depois, a segunda parte da visão: eu colaborava com textos em um programa de rádio e um dia pedi que tocassem uma música da Elis Regina logo após a leitura de meu texto, pois eu me referia a ela. A resposta: não podemos tocar, temos uma lista aqui com as músicas que devemos tocar e essa não está lá. Fiquei horrorizado com a total falta de independência artística por conta de interesses comerciais. Decidi que jamais ia querer isso para mim. Na sequência, a terceira parte da visão: ao lançar meu primeiro livro, o contato com o mundo das editoras. Eu criei o livro e as editoras começaram a dar pitaco de todo lado. A capa era elas que definiam, queriam mexer no meu texto, que eu mudasse meu estilo, minha abordagem... queriam que eu deixasse de ser eu para ser uma fórmula que, segunda elas, era o que vendia. Fiquei horrorizado e decidi que aquilo não era para mim. Percebi que se eu colocasse o meu trabalho nas mãos de terceiros, que decidissem como eu devia fazer, como distribuir, como chegar ao público, o resultado seria algo que não eu. E então, mais de 20 anos atrás, tomei a decisão de ser orgulhosamente um independente. Com minhas plataformas próprias, usando redes sociais para fazer marketing exclusivamente. Sem depender delas, sem ficar na sombra de uma grande marca, sem depender da estrutura de um terceiro para sobreviver. E tô por aí até hoje, assistindo uma porção de criadores de conteúdos jovens e dinâmicos gritando contra o Youtube, contra o Facebook, contra o Twitter, contra o Instagram, que os cancela a cada vez que eles tentam ser eles mesmos. Agora estou vendo vários indo para o caminho que eu adotei 20 anos atrás. Boa sorte, moçada. Mas saibam que esse caminho é mais íngreme, tem menos visibilidade, menos likes, menos oba-oba e menos brilho que aquele anterior, que vocês pensavam que era de vocês. Mas neste novo caminho, tem liberdade. Continuo a reflexão neste vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=1zkMBtqIC7g Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://canalcafebrasil.com
Cafezinho 557 - Em Busca de Sentido
Feb 3 2023
Cafezinho 557 - Em Busca de Sentido
Cafezinho 557 – Em busca de um sentido Em 1945, o psicólogo Viktor Frankl tinha 40 anos de idade. Poucos meses depois de sua libertação de um campo de concentração nazista, escreveu um livro sobre a fonte de sua vontade de sobreviver. O livro chama-se O Homem Em Busca de Um Sentido, vendeu mais de 10 milhões de cópias em 24 idiomas. E dele é possível tirar muitos ensinamentos. Escolhi cinco: Primeiro: sempre mantemos a capacidade de escolher a nossa atitude. Frankl escreveu: "Nós, que vivíamos em campos de concentração, podemos nos lembrar dos homens que andavam pelas cabanas, confortando os outros, dando seu último pedaço de pão. Eles podem ter sido poucos em número, mas oferecem provas suficientes de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas – escolher a atitude de alguém em qualquer conjunto de circunstâncias, escolher o próprio caminho.” Segundo ensinamento: Haverá sofrimento – É como reagimos ao sofrimento que conta Frankl afirma que se encontra sentido na vida através do trabalho, especialmente quando esse trabalho é de natureza criativa e alinhado com um propósito maior do que nós mesmos. Através do amor, que muitas vezes se manifesta no serviço aos outros. E através do sofrimento, que é fundamental para a experiência humana. O terceiro ensinamento tem a ver com o Poder do Propósito Frankl observou que aqueles prisioneiros que sobreviveram, que encontraram uma maneira de suportar, sempre tiveram um propósito maior que os levou adiante através de condições difíceis. Para alguns, era uma criança, um cônjuge ou membro da família que os esperava. Para outros, era uma tarefa inacabada ou um trabalho criativo que exigia sua contribuição única. O quarto ponto: o verdadeiro teste de nosso caráter é revelado em como agimos Frankl conclui que cada pessoa deve responder à pergunta “qual o sentido da vida?” por si mesma, com base em suas circunstâncias, relacionamentos e experiências. Quinto ensinamento: a bondade humana pode ser encontrada nos lugares mais surpreendentes Frankl se lembra quando um guarda, correndo risco, secretamente lhe deu um pedaço de pão. "Foi muito mais do que o pequeno pedaço de pão que me levou às lágrimas na época. Foi o "algo" humano que este homem me deu – a palavra e o olhar que acompanharam o presente. O Homem Em Busca de Um Sentido é um livro essencial para estes tempos bicudos. Vou continuar a reflexão neste vídeo.
Cafezinho 554 - Os flautistas de Hamelin
Jan 13 2023
Cafezinho 554 - Os flautistas de Hamelin
Na cidade de Hamelin, na Alemanha, existe uma rua chamada Bungelosenstrasse, que quer dizer “rua sem tambores” ou “rua sem barulho”. Nela é proibido tocar música ou dançar. Reza a lenda que foi por essa rua que, em 1284, um estranho que passou a ser conhecido como o Flautista de Hamelin, passou tocando sua música e levando consigo 130 crianças da cidade para dentro de uma caverna. As crianças nunca mais foram encontradas. O flautista fez isso como vingança por não ter recebido seu pagamento ao livrar a cidade dos ratos com sua flauta. O fascinante nessa história é tentar entender qual mágica tinha o flautista, capaz de colocar as crianças num transe e leva-las para a morte? O que é que ele tinha em sua música, em sua flauta? Talvez nada demais. O que ele tinha era algum poder sobre as crianças, que talvez possa ser explicado num trecho de um texto do século 14, de Michel de Montaigne: “Nada me irrita mais na estupidez do que a satisfação com que ela se exibe, uma satisfação maior do que poderia ter, e com mais razão, a sensatez. É desastroso que a sabedoria nos proíba a satisfação e a confiança em nós mesmos, e nos deixe sempre descontentes e silenciosos, ao passo que a teimosia e a impetuosidade enchem os que as têm de alegria e segurança. (...) A obstinação e a convicção exagerada são a prova mais cabal da estupidez. Haverá algo mais enfático, resoluto, desdenhoso, contemplativo, grave e sério do que um burro?” Montaigne trata da cegueira que a obstinação e a convicção exagerada provocam nas pessoas, impedindo que elas exerçam seu senso crítico, transformando-as em massa de manobra e expondo-as a todo tipo de perigos, especialmente nas mãos de quem sabe manipular as cordinhas, se é que você me entende. Cuidado. Tem centenas de flautistas de Hamelin por aí tentando arrastar consigo quem tem convicções e obstinação exageradas. Continuo a reflexão neste vídeo.   https://www.youtube.com/watch?v=W4lBdSS76qw Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://mundocafebrasil.com
Cafezinho 553 – Calibre suas expectativas
Jan 6 2023
Cafezinho 553 – Calibre suas expectativas
“Todas as vezes que encontrei ilhas de excelência no Brasil, seja lá onde for, sempre, SEMPRE achei em suas raízes a figura de um líder forte. O visionário que conduziu a equipe para o sucesso. Pergunto-me quantas das suas decisões foram tomadas por consenso... É claro que os líderes mais modernos têm mecanismos para que suas equipes participem do processo de transformação de dados em informação e de sua análise. Mas, com certeza, eles também têm um limite para discussão e, no momento de decidir, dão a palavra final. Cabe a eles a ordem, o risco. E o povo segue (...) Então, aqui vai meu pedido: Consenso, presidente? SIM! Mas só quando tiver tempo. Discuta, sim. Pergunte, sim. Mas não espere, lidere. Mande. Assuma a responsabilidade. (...) O Brasil não precisa de processos nem de planos elegantes. Muito menos de blablablá. O Brasil precisa de líderes, de pulso firme, de coragem e de decisão. E a história colocou essa oportunidade em suas mãos. Agarre-a com todos os dedos. “Ah, mas falta um!” — alguém há de dizer. Não faz mal, presidente. O senhor tem no mínimo mais 540 milhões de dedos para ajudar...” Esses são trechos de um texto, cheio de uma esperança ingênua, que escrevi em 2003, logo após a posse de Lula em seu primeiro mandato. Está em meu livro Brasileiros Pocotó, lançado em 2004. Naquele ano eu esperava muito... De lá para cá o Brasil mudou enormemente. A democracia se consolidou como instrumento para populistas e totalitários, o bem estar da população é acessório, a política do Tudo Bem, Se Me Convém, que era praticada de forma escondida, institucionalizou-se. Aquele parágrafo único da Constituição: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição." virou conversa pra boi dormir. Quem exerce o poder é uma elite que se auto-elege e protege. O povo não pode nada além de torcer. Bem, eu não vou torcer contra o governo que aí está, minhas energias estarão em me proteger dele. E acordar toda manhã rezando para eu estar errado. E começo calibrando minhas expectativas, com a frase do Barão de Itararé. “De onde menos se espera, é daí que não sai nada mesmo”. Boa sorte pra nós, bem-vindo a 2023. Continuo a reflexão neste vídeo.   https://www.youtube.com/watch?v=R05lac1WzgM&feature=youtu.be Gostou? De onde veio este, tem muito, mas muito mais. Torne-se um assinante do Café Brasil e nos ajude a continuar produzindo conteúdo gratuito que auxilia milhares de pessoas a refinar seu processo de julgamento e tomada de decisão. Acesse http://mundocafebrasil.com
Cafezinho 551 - Uma revolução na minha vida
Dec 20 2022
Cafezinho 551 - Uma revolução na minha vida
Quem assina o Café Brasil passa a fazer parte da Confraria Café Brasil, um grupo de discussão no Telegram, onde rola todo tipo de debate. Um dos subgrupos da Confraria é o #AcaoMalu, criado em Junho de 2021, quando uma antiga ouvinte de meus podcasts, numa mensagem, explicou que estava internada numa casa de repouso pois sofria de uma doença degenerativa que aos poucos incapacitava suas atividades mais básicas. Ela, a Malu, foi secretária de multinacional, bastante ativa, e agora passava os dias lendo, ouvindo podcasts ou assistindo televisão. Muito bem cuidada na Casa de Repouso Sono Real em Rio Claro, Malu descreveu um quadro que me emocionou. Então contei a história na Confraria e montamos o grupo AçãoMalu, nos revezando para ligar para ela de quando em quando e bater um papo. Logo na primeira semana, meu celular tocou. Era a Malu: "Luciano, vocês causaram uma revolução na minha vida!". Bem, depois disso e de vários contatos e até ações de visitação, um dos confrades, Ronny Clayton D´Ajuda, assumiu a liderança de promover um encontro com a Malu, que rapidamente cresceu para um evento lá na casa de repouso, envolvendo os outros internos. Uma reunião com música, distribuição de panetones, orações e, o mais importante: calor humano. O grupo arrecadou o dinheiro necessário, Ronny organizou a caravana e o evento aconteceu com a presença de outros dois Confrades, Leandro Florindo e Alê Tobias, que se deslocaram de suas cidades para estarem juntos com a Malu e seus companheiros. Doaram-se para uma ação que, certamente, marcou o dezembro de quem não tem mais o calor da família no mês mais sensível do ano. Eu me emocionei quando vi as fotos e os vídeos. E continuo sem palavras para agradecer a todos que fazem parte da Confraria Café Brasil, do grupo AçãoMalu e, em especial, ao Ronny, Leandro e Ale. Essa ação, originada dentro de um grupo de conversa na internet, mostra que em meio às discussões mundanas e conflitos do dia a dia, é possível fazer o amor brotar e impactar a vida de outras pessoas. De forma positiva. Gaste seu tempo defendendo o que você ama, não só atacando o que você odeia. Continuo a reflexão neste vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=2aRsMvvAkDs